Thursday, October 22, 2009
Monday, September 28, 2009
Wednesday, September 16, 2009
Thursday, September 10, 2009

A que te sabem as cerejas depois das que te dei?
A que te cheira o ar depois do meu perfume?
Como abraças a vida sem mim?
Na época das cerejas ela nasceu. Tinha cabeça pequena e uns lábios grossos. Não pintava as unhas ainda, o carmim veio depois.
Cuspia o leite, o que contradizia com a palidez do seu rosto e a delicadeza do seu ar. Chá, dêem-lhe chá.
Catarina cresceu assim, num manto de contradições.
Não havia pedra da calçada que não suavizasse à sua passada, nem vento que não dansasse à sua volta.
E agora? Como consegues andar sem mim?
Como te pode perdoar o vento?
Cresceu espreitando suavemente entre cortinas transparentes, musselina ou tule, chiffon ou gaze.
Quem passava cheirava as flores que tinha no cabelo, adivinhava a cor dos lábios.
Nunca se lhe viu uma lágrima, contudo havia uma melancolia nos seus sorrisos. Mãos longas, dedos compridos.
Não ouvia. Havia uma surdez só sua no seu coração.
Como pudeste acordar-me e depois partir de mansinho?
E agora, consegues dormir? Qual é agora o peso do teu lençol?
Qual é agora o recheio da tua almofada?
No dia em que morreu
O amor
Nunca mais foi o mesmo
A que te cheira o ar depois do meu perfume?
Como abraças a vida sem mim?
Na época das cerejas ela nasceu. Tinha cabeça pequena e uns lábios grossos. Não pintava as unhas ainda, o carmim veio depois.
Cuspia o leite, o que contradizia com a palidez do seu rosto e a delicadeza do seu ar. Chá, dêem-lhe chá.
Catarina cresceu assim, num manto de contradições.
Não havia pedra da calçada que não suavizasse à sua passada, nem vento que não dansasse à sua volta.
E agora? Como consegues andar sem mim?
Como te pode perdoar o vento?
Cresceu espreitando suavemente entre cortinas transparentes, musselina ou tule, chiffon ou gaze.
Quem passava cheirava as flores que tinha no cabelo, adivinhava a cor dos lábios.
Nunca se lhe viu uma lágrima, contudo havia uma melancolia nos seus sorrisos. Mãos longas, dedos compridos.
Não ouvia. Havia uma surdez só sua no seu coração.
Como pudeste acordar-me e depois partir de mansinho?
E agora, consegues dormir? Qual é agora o peso do teu lençol?
Qual é agora o recheio da tua almofada?
No dia em que morreu
O amor
Nunca mais foi o mesmo
Tuesday, September 08, 2009
Monday, September 07, 2009
Tuesday, September 01, 2009
Friday, August 14, 2009

Não te abandones mais.
Ela soluçava enquanto tomava os anti-depressivos.
Ele via as mensagens no telefone.
As crianças gritavam no que parecia uma distância de pólos.
-Tu não me amas. Nunca me amaste.
Ele dizia-lhe silêncio.
Ela tinha de saber que nunca fora amor. Havia com certeza a certeza de que não era amor. Talvez por isso os comprimidos coloridos, a necessidade de o fazer amá-la.
-Telefonei à tua ex. Não quis falar comigo.
Ele dizia-lhe silêncio.
As crianças continuavam a cansar-se ao longe, muito longe.
Fendas
Escondidas da podridão
Silêncios volteavam ao som de gritos
Poderosos
Queria abrir a janela
Gritar ódio
Paralisia do sentir
Não te procuro mais
Ao longe, muito ao longe.
Ela soluçava enquanto tomava os anti-depressivos.
Ele via as mensagens no telefone.
As crianças gritavam no que parecia uma distância de pólos.
-Tu não me amas. Nunca me amaste.
Ele dizia-lhe silêncio.
Ela tinha de saber que nunca fora amor. Havia com certeza a certeza de que não era amor. Talvez por isso os comprimidos coloridos, a necessidade de o fazer amá-la.
-Telefonei à tua ex. Não quis falar comigo.
Ele dizia-lhe silêncio.
As crianças continuavam a cansar-se ao longe, muito longe.
Fendas
Escondidas da podridão
Silêncios volteavam ao som de gritos
Poderosos
Queria abrir a janela
Gritar ódio
Paralisia do sentir
Não te procuro mais
Ao longe, muito ao longe.
Thursday, August 13, 2009
Tuesday, August 11, 2009
Friday, July 17, 2009
Thursday, June 04, 2009
Friday, February 20, 2009

E quando a lua não me mira
E enquanto não chegas,
Restam-me os quadros tortos
Os cinzeiros mal limpos
A assimetria que me endoidece
E quando o sol não me aquece
E enquanto não me chegas,
Resta-me o frio que me come a alma
As camisolas com buracos
A solidão que me endoidece
E quando choro
E enquanto não me chegas,
Resta-me uma alma abandonada
A fadiga da destruição
A procura que me endoidece
E enquanto não chegas,
Restam-me os quadros tortos
Os cinzeiros mal limpos
A assimetria que me endoidece
E quando o sol não me aquece
E enquanto não me chegas,
Resta-me o frio que me come a alma
As camisolas com buracos
A solidão que me endoidece
E quando choro
E enquanto não me chegas,
Resta-me uma alma abandonada
A fadiga da destruição
A procura que me endoidece
Friday, January 09, 2009
Monday, March 03, 2008
Monday, January 07, 2008
Tuesday, November 20, 2007
Wednesday, November 14, 2007

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.
Charles Chaplin
Friday, November 02, 2007
Tuesday, October 30, 2007
Tuesday, October 23, 2007
Saturday, October 13, 2007
Monday, October 01, 2007
Thursday, September 27, 2007

Habitualmente adormecia assim.
Fechava os olhos e imaginava a tua respiração a meu lado. Pressentia os teus dedos, respirava o teu ar.
Viajava à manhã seguinte e nela encontrava o teu primeiro sorriso, a tua alegria não disfarçada por me teres ao teu lado.
A alegria profunda na leveza de um amor perfeito.
Fechava os olhos e imaginava a tua respiração a meu lado. Pressentia os teus dedos, respirava o teu ar.
Viajava à manhã seguinte e nela encontrava o teu primeiro sorriso, a tua alegria não disfarçada por me teres ao teu lado.
A alegria profunda na leveza de um amor perfeito.
Thursday, September 20, 2007
Friday, September 07, 2007
Wednesday, August 29, 2007
Monday, August 27, 2007
Wednesday, August 22, 2007
Thursday, August 09, 2007
Tuesday, July 24, 2007
Friday, July 13, 2007
Thursday, July 12, 2007
Friday, July 06, 2007
Wednesday, July 04, 2007

Somos um fio.
Um fio em cima de um fio.
Todos os sonhos, todos os desejos vão ficando guardados sem que nos apercebamos e de repente as crianças cresceram, a solidão foi chegando. O corpo que temos ao nosso lado nunca teve o sorriso que sonhámos, o cheiro que quisemos, a cor que precisávamos. A pasta do trabalho vem cheia de tralha que nunca pensámos viesse a ser nossa. A casa onde vivemos tem paredes que nos comprimem a alma, o espírito.
E entre tudo, o tempo passou. Voou.
Voaram pessoas, voaram sonhos, acabamos por voar nós.
Vazio e fino o fio.
E querer arriscar. Arriscar que não vai ser assim. Querer ser fio dansante, flutuante, cantante (!) qual universo das cores que transformam a nuvem mais escura que anuncia tempestade, em algodão doce sem corantes.
Saber que chegam rápidos os tempos em que os sonhos e a força se vai. Saber que a derrota chega e nos imobiliza. Agir rápido. Saltitar por entre fios.
E na lápide: Fui feliz.
Um fio em cima de um fio.
Todos os sonhos, todos os desejos vão ficando guardados sem que nos apercebamos e de repente as crianças cresceram, a solidão foi chegando. O corpo que temos ao nosso lado nunca teve o sorriso que sonhámos, o cheiro que quisemos, a cor que precisávamos. A pasta do trabalho vem cheia de tralha que nunca pensámos viesse a ser nossa. A casa onde vivemos tem paredes que nos comprimem a alma, o espírito.
E entre tudo, o tempo passou. Voou.
Voaram pessoas, voaram sonhos, acabamos por voar nós.
Vazio e fino o fio.
E querer arriscar. Arriscar que não vai ser assim. Querer ser fio dansante, flutuante, cantante (!) qual universo das cores que transformam a nuvem mais escura que anuncia tempestade, em algodão doce sem corantes.
Saber que chegam rápidos os tempos em que os sonhos e a força se vai. Saber que a derrota chega e nos imobiliza. Agir rápido. Saltitar por entre fios.
E na lápide: Fui feliz.
Monday, July 02, 2007

Pinta-me. Assim, com as cores do final.
Com o escuro quase total.
Pede-me para não me mexer e perpetua no silêncio este momento. Eterniza este caminho. Imortaliza esta espera.
Guarda este sorriso que é o teu sorriso e prende-o numa tela porque depois deste sorriso já só sal visitará este rosto e depois chegará o pó. O pó de todo o tempo do mundo num Outono que não terá fim.
Com o escuro quase total.
Pede-me para não me mexer e perpetua no silêncio este momento. Eterniza este caminho. Imortaliza esta espera.
Guarda este sorriso que é o teu sorriso e prende-o numa tela porque depois deste sorriso já só sal visitará este rosto e depois chegará o pó. O pó de todo o tempo do mundo num Outono que não terá fim.

I'm lost, exposed,
Stranger things will come your way,
It's just I'm scared,
Got hurt a long time ago,
Can't make myself heard,
No matter how hard I scream.
Oh sensation,
Sin, slave of sensation.
Fully fed yet I still hunger,
Torn inside,
Haunted I tell myself yet I still wander,
Down, inside,
It's tearing me apart.
Oh sensation,
Sin, slave of sensation.
Sample repeat over and over :
I'll never fall in love again,
It's all over now.
Stranger things will come your way,
It's just I'm scared,
Got hurt a long time ago,
Can't make myself heard,
No matter how hard I scream.
Oh sensation,
Sin, slave of sensation.
Fully fed yet I still hunger,
Torn inside,
Haunted I tell myself yet I still wander,
Down, inside,
It's tearing me apart.
Oh sensation,
Sin, slave of sensation.
Sample repeat over and over :
I'll never fall in love again,
It's all over now.
Portishead
Thursday, June 28, 2007
Thursday, June 21, 2007
Wednesday, June 20, 2007
Monday, June 18, 2007

todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada. ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte. os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas. sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora, não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.
José Luís Peixoto
Monday, June 11, 2007
Friday, June 08, 2007
Monday, June 04, 2007
Saturday, June 02, 2007
Thursday, May 31, 2007
Wednesday, May 30, 2007
Tuesday, May 29, 2007

Queres lutar com quem?
Para doer aonde? Para ser o quê?
Achas que ninguém vê?...
E p'ra quê fingir?
Porquê mentir e remar na dor?
Achas que ninguém vê?...
Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não voltar a cair!...
Não me olhes assim,
continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
Não dances tão longe,
que eu já te vi...
Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não voltar a cair!...
Wednesday, May 16, 2007
Monday, May 14, 2007
Friday, May 11, 2007
Thursday, May 10, 2007

Por vezes é como andar no nevoeiro.
Coração apertado na cegueira do futuro passo.
Coração apertado. Pavor de o quebrar na esquina que se segue.
Depois vem uma mão. Um espírito que nos alcança e nos puxa para essa esquina e nos ajuda a sair do nevoeiro que não era mais que sombras.
Sombras de passado que invadem sem convite uma busca pelo futuro.
Passos…passos com essa mão que nos afasta do passado, ainda que tenhamos medo, de com ela, dizer futuro.
O nevoeiro sai depois de nós, por nós, nada sai claro, pelos olhos saem sombras, pela voz, temores. Nevoeiro. Nevoeiro que não é mais que a prisão ao medo passado e a aflição de confessar o futuro.
Coração apertado na cegueira do futuro passo.
Coração apertado. Pavor de o quebrar na esquina que se segue.
Depois vem uma mão. Um espírito que nos alcança e nos puxa para essa esquina e nos ajuda a sair do nevoeiro que não era mais que sombras.
Sombras de passado que invadem sem convite uma busca pelo futuro.
Passos…passos com essa mão que nos afasta do passado, ainda que tenhamos medo, de com ela, dizer futuro.
O nevoeiro sai depois de nós, por nós, nada sai claro, pelos olhos saem sombras, pela voz, temores. Nevoeiro. Nevoeiro que não é mais que a prisão ao medo passado e a aflição de confessar o futuro.
Tuesday, April 24, 2007

Roubas a luz
ao céu cinzento
e vestes folhas flores e ervas
com vestidos cintilantes
És água e luz
a mais doce e breve e cristalina.
És o meu amigo das manhãs brumosas
e eu peço que me ensines o ofício claro
da tua transparência
para que me torne num fantástico alfaiate
e cubra a minha amada pela manhã
com o secreto nome
de uma flor feliz.
José Fanha
ao céu cinzento
e vestes folhas flores e ervas
com vestidos cintilantes
És água e luz
a mais doce e breve e cristalina.
És o meu amigo das manhãs brumosas
e eu peço que me ensines o ofício claro
da tua transparência
para que me torne num fantástico alfaiate
e cubra a minha amada pela manhã
com o secreto nome
de uma flor feliz.
José Fanha
Tuesday, April 17, 2007
Wednesday, April 11, 2007

mas nada é perfeito - nem o magnífico chapéu
de mademoiselle de noailles nem os dias que
aos ziguezagues vão passando iguais e monótonos
falta-me o tempo para procurar o tempo perdido.
e não estou deitado na recordação da infância
confesso
que odeio escrever cartas ou enviar recados
ando há uma semana arrumando livros - comovido
acabei agora mesmo de sacudir
o pequeno novelo de poeira acumulada
no interior das páginas do senhor da asma
por hoje é tudo
Al Berto
de mademoiselle de noailles nem os dias que
aos ziguezagues vão passando iguais e monótonos
falta-me o tempo para procurar o tempo perdido.
e não estou deitado na recordação da infância
confesso
que odeio escrever cartas ou enviar recados
ando há uma semana arrumando livros - comovido
acabei agora mesmo de sacudir
o pequeno novelo de poeira acumulada
no interior das páginas do senhor da asma
por hoje é tudo
Al Berto
Thursday, March 29, 2007
Tuesday, March 27, 2007

Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado;
Desta falta de tempo, sorte, e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.
António Franco Alexandre
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado;
Desta falta de tempo, sorte, e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.
António Franco Alexandre
Monday, March 26, 2007
Friday, March 23, 2007
Thursday, March 22, 2007
Wednesday, March 21, 2007
Monday, March 19, 2007
Se este fosse um blog mais sério, hoje haveria aqui uma explanação contra os injustiçados, as vitimas da direita portuguesa que têm dificuldade em aceitar decisões.
Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.
Serve-se morto.
Reinaldo Ferreira
Thursday, March 15, 2007
Wednesday, March 14, 2007
Se calhar podia ouvir “amo-te”. Não sei se mudava alguma coisa.
Há dias em que os sapatos nos apertam mais, em que o choro dos meninos nos custa mais a ouvir.
Então, numa busca de solução e razão imediata para a aflição, olhava para ti e sabia que tinhas de ser tu a resolver isto dentro de mim, és tu o culpado. Tens de ser.
A saia tem duas nódoas. Que se lixe, ninguém há-de reparar, também, já é Quinta-Feira e no Sábado logo a lavo. O tempo não estica e hoje nada me aquece nem arrefece. Flutuo nesta angústia. Sei que tem de haver uma razão e uma solução, e só podes ser tu. Se não fosses tu se calhar nem vivia cá. Não tinha filhos, nem choros, nem saias com nódoas, nem frigorifico vazio, nem um vazio de moedas na carteira. Se não fosses tu acho que tinha ido para França, ou para Espanha. Se calhar até era bailarina ou pianista. Tenho os dedos grandes. Não tenho muito jeito p’ra dansa nem grande ouvido para a música, mas de certeza que estava nas artes. A vizinha Beatriz sempre disse que tinha uma boa voz. Devia era ter concorrido a um daqueles programas que lançaram tantos artistas(que nem valiam muito). Devia ter concorrido antes de ter a cara cheia de rugas e estes dentes.
Pode ser que hoje olhes para mim com um olhar mais meigo e amanhã comece um dia novo sem esta aflição. Pode ser que amanhã me saia o raio do euromilhões ou a roupa se passe sozinha ou consiga tomar um banho antes que os meninos ou tu cheguem a casa.
Há dias em que os sapatos nos apertam mais, em que o choro dos meninos nos custa mais a ouvir.
Então, numa busca de solução e razão imediata para a aflição, olhava para ti e sabia que tinhas de ser tu a resolver isto dentro de mim, és tu o culpado. Tens de ser.
A saia tem duas nódoas. Que se lixe, ninguém há-de reparar, também, já é Quinta-Feira e no Sábado logo a lavo. O tempo não estica e hoje nada me aquece nem arrefece. Flutuo nesta angústia. Sei que tem de haver uma razão e uma solução, e só podes ser tu. Se não fosses tu se calhar nem vivia cá. Não tinha filhos, nem choros, nem saias com nódoas, nem frigorifico vazio, nem um vazio de moedas na carteira. Se não fosses tu acho que tinha ido para França, ou para Espanha. Se calhar até era bailarina ou pianista. Tenho os dedos grandes. Não tenho muito jeito p’ra dansa nem grande ouvido para a música, mas de certeza que estava nas artes. A vizinha Beatriz sempre disse que tinha uma boa voz. Devia era ter concorrido a um daqueles programas que lançaram tantos artistas(que nem valiam muito). Devia ter concorrido antes de ter a cara cheia de rugas e estes dentes.
Pode ser que hoje olhes para mim com um olhar mais meigo e amanhã comece um dia novo sem esta aflição. Pode ser que amanhã me saia o raio do euromilhões ou a roupa se passe sozinha ou consiga tomar um banho antes que os meninos ou tu cheguem a casa.
Tuesday, March 13, 2007
Thursday, March 08, 2007
Tuesday, March 06, 2007
Thursday, March 01, 2007

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
José Luis Peixoto
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
José Luis Peixoto

Abeja blanca zumbas —ebria de miel— en mi alma
y te tuerces en lentas espirales de humo.
Soy el desesperado, la palabra sin ecos,
el que lo perdió todo, y el que todo lo tuvo.
Última amarra, cruje en ti mi ansiedad última.
En mi tierra desierta eres la última rosa.
Ah silenciosa!
Cierra tus ojos profundos. Allí aletea la noche.
Ah desnuda tu cuerpo de estatua temerosa.
Tienes ojos profundos donde la noche alea.
Frescos brazos de flor y regazo de rosa.
Se parecen tus senos a los caracoles blancos.
Ha venido a dormirse en tu vientre una mariposa de sombra.
Ah silenciosa!
He aquí la soledad de donde estás ausente.
Llueve. El viento del mar caza errantes gaviotas.
El agua anda descalza por las calles mojadas.
De aquel árbol se quejan, como enfermos, las hojas.
Abeja blanca, ausente, aún zumbas en mi alma.
Revives en el tiempo, delgada y silenciosa.
Ah silenciosa!
y te tuerces en lentas espirales de humo.
Soy el desesperado, la palabra sin ecos,
el que lo perdió todo, y el que todo lo tuvo.
Última amarra, cruje en ti mi ansiedad última.
En mi tierra desierta eres la última rosa.
Ah silenciosa!
Cierra tus ojos profundos. Allí aletea la noche.
Ah desnuda tu cuerpo de estatua temerosa.
Tienes ojos profundos donde la noche alea.
Frescos brazos de flor y regazo de rosa.
Se parecen tus senos a los caracoles blancos.
Ha venido a dormirse en tu vientre una mariposa de sombra.
Ah silenciosa!
He aquí la soledad de donde estás ausente.
Llueve. El viento del mar caza errantes gaviotas.
El agua anda descalza por las calles mojadas.
De aquel árbol se quejan, como enfermos, las hojas.
Abeja blanca, ausente, aún zumbas en mi alma.
Revives en el tiempo, delgada y silenciosa.
Ah silenciosa!
Neruda
Monday, February 26, 2007

É sempre àquela mesa que volto.
Àquela feita de pedra. Àquela onde pela primeira vez os destinos das nossas mãos se encontraram.
Entre cafés e segredos que não se sussurraram mas que se adivinharam. Volto ao vento que te acompanha e à beleza da tua sombra.
Volto àquela mesa, não para respirar como outrora; volto àquela mesa, porque é a mesa dos silêncios doces.
Àquela feita de pedra. Àquela onde pela primeira vez os destinos das nossas mãos se encontraram.
Entre cafés e segredos que não se sussurraram mas que se adivinharam. Volto ao vento que te acompanha e à beleza da tua sombra.
Volto àquela mesa, não para respirar como outrora; volto àquela mesa, porque é a mesa dos silêncios doces.
Monday, February 19, 2007
Wednesday, February 14, 2007
Tuesday, February 13, 2007
One fine day
You'll look at me
And you will know our love was
Meant to be
One fine day
You're gonna want me for your girl
The arms I long for
Will open wide
And you'll be proud to have me
By your side
One fine day
You're gonna want me for your girl
Though I know you're the
Kind of boy
Who only wants to run around
I'll keep waiting and
Someday darling
You'll come to me when you want to settle down oh
One fine day
We'll meet once more
And then you'll want the love you
Threw away before
One fine day
You're gonna want me for your girl
One fine day
We'll meet once more
And then you'll want the love you
Threw away before
One fine day
You're gonna want me for your girl
You'll look at me
And you will know our love was
Meant to be
One fine day
You're gonna want me for your girl
The arms I long for
Will open wide
And you'll be proud to have me
By your side
One fine day
You're gonna want me for your girl
Though I know you're the
Kind of boy
Who only wants to run around
I'll keep waiting and
Someday darling
You'll come to me when you want to settle down oh
One fine day
We'll meet once more
And then you'll want the love you
Threw away before
One fine day
You're gonna want me for your girl
One fine day
We'll meet once more
And then you'll want the love you
Threw away before
One fine day
You're gonna want me for your girl













































































