Thursday, October 22, 2009

If The Stars Were Mine - Melody Gardot -

Melody Gardot - Lover Undercover

Monday, September 28, 2009


ouvias o meu coração
ouvias o que não te dizia
por isso tive de te matar.

No escuro da minha alma
Branca
A certeza de uma casa vazia
Sem cores, sem sapatos,
Sem letras, sem tesouros
Numa casa só tua
Onde eu fosse visita
Mosca barulhenta
Onde o amor se perdesse
Em cada anoitecer
Amanhecer

Wednesday, September 16, 2009

Thursday, September 10, 2009


A que te sabem as cerejas depois das que te dei?
A que te cheira o ar depois do meu perfume?
Como abraças a vida sem mim?

Na época das cerejas ela nasceu. Tinha cabeça pequena e uns lábios grossos. Não pintava as unhas ainda, o carmim veio depois.
Cuspia o leite, o que contradizia com a palidez do seu rosto e a delicadeza do seu ar. Chá, dêem-lhe chá.
Catarina cresceu assim, num manto de contradições.
Não havia pedra da calçada que não suavizasse à sua passada, nem vento que não dansasse à sua volta.

E agora? Como consegues andar sem mim?
Como te pode perdoar o vento?

Cresceu espreitando suavemente entre cortinas transparentes, musselina ou tule, chiffon ou gaze.
Quem passava cheirava as flores que tinha no cabelo, adivinhava a cor dos lábios.
Nunca se lhe viu uma lágrima, contudo havia uma melancolia nos seus sorrisos. Mãos longas, dedos compridos.
Não ouvia. Havia uma surdez só sua no seu coração.

Como pudeste acordar-me e depois partir de mansinho?
E agora, consegues dormir? Qual é agora o peso do teu lençol?
Qual é agora o recheio da tua almofada?

No dia em que morreu
O amor
Nunca mais foi o mesmo

Tuesday, September 08, 2009



http://www.itoh.com/flash/booke.html

Monday, September 07, 2009


E a minha princesa casou-se!

Tuesday, September 01, 2009


Anos. Tantos anos. Os que duraram, os que passaram, os depois, os antes, os que virão, que já foram quase tão desejados como o desejo louco que o presente fosse passado. Anos. Como ponteiros.

Friday, August 14, 2009


Não te abandones mais.
Ela soluçava enquanto tomava os anti-depressivos.
Ele via as mensagens no telefone.
As crianças gritavam no que parecia uma distância de pólos.

-Tu não me amas. Nunca me amaste.
Ele dizia-lhe silêncio.

Ela tinha de saber que nunca fora amor. Havia com certeza a certeza de que não era amor. Talvez por isso os comprimidos coloridos, a necessidade de o fazer amá-la.

-Telefonei à tua ex. Não quis falar comigo.
Ele dizia-lhe silêncio.
As crianças continuavam a cansar-se ao longe, muito longe.


Fendas
Escondidas da podridão
Silêncios volteavam ao som de gritos
Poderosos
Queria abrir a janela
Gritar ódio
Paralisia do sentir
Não te procuro mais
Ao longe, muito ao longe.

Thursday, August 13, 2009


As paredes empurravam-me
Via-as fechar
Poros
Sôfregos de frio
Abandona-me
Perde-te no teu escuro
E encontro-me nas asas
Puro
Desmoronar de peças
Até
Ao voo final

Tuesday, August 11, 2009


As pétalas
Nunca cheirei as pétalas
Cega
Tropeçando em caules sem cores
Podias ter-me acendido a luz
Ou fechado a porta
Mudam de cor?
As pétalas
Também voam
E perdem-se
Nunca chegam à frescura da maré
Por isso sou espuma
Desfaço-me em sal

e volto ao principio.

Friday, July 17, 2009


Que poesia sentes
De que se alimentam os teus suspiros
Procuram-me na maré cheia
Encontra-me na vasa
Onde o teu passo pisar
Eu em cada travessa
De cabelo preso
Borboleta sem asas

Thursday, June 04, 2009


Um impulso vedado
Num dia de xeque-mate
Trocas de letras perdidas numa alma sem sul
Podia brindar ao Verão mas o Inverno sabe-me melhor
Podia rebolar mas cair é pior e prefiro
Num quebra-cabeças completo
Ver voar o cheiro do fim
Numa infância prolongada
Que sonhei para mim.

Friday, February 20, 2009


E quando a lua não me mira
E enquanto não chegas,
Restam-me os quadros tortos
Os cinzeiros mal limpos
A assimetria que me endoidece

E quando o sol não me aquece
E enquanto não me chegas,
Resta-me o frio que me come a alma
As camisolas com buracos
A solidão que me endoidece

E quando choro
E enquanto não me chegas,
Resta-me uma alma abandonada
A fadiga da destruição
A procura que me endoidece

Friday, January 09, 2009


Voltar a dansar?
Por ora pintam-se cores na Policromia!! http://polikhromos.blogspot.com/

Monday, March 03, 2008


Num segundo, num instante. Por um silêncio, por uma palavra. Foram já dois anos de Dansa!

Monday, January 07, 2008


Fechado por ora.
Sigo por outros reinos http://polikhromos.blogspot.com/

Tuesday, November 20, 2007


Da janela do meu esconderijo, ouço o vento solto, feliz, enquanto a água me abraça.
Gota a gota.
Confundo-me com ela, no canto do meu esconderijo.
Sinto-me num trapésio branco, dansando qual artista de circo.
No canto do meu esconderijo canto devagar, quase em silêncio a música dos sonhos felizes.

Wednesday, November 14, 2007



No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade


Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.

Charles Chaplin

Friday, November 02, 2007


Need to wash my soul again.

Tuesday, October 30, 2007


Dansar num chão cheio de conchas flutuando sem as quebrar.
Assim o equilíbrio sobre um chão de sonhos.

Tuesday, October 23, 2007


Isn't she something?

Saturday, October 13, 2007


Vejo o abandono à minha volta. Os sonhos vazios, os lençóis rasgados, pendurados em sombras. Lugares nus, espaços por preencher.
Olho para a dansa e vejo-a num quarto escuro, sem espaço para voar.
Vejo o meu abandono à minha volta hesito entre o rasgar e sucumbir.

Monday, October 01, 2007


No Outono é assim: dansa nos chás que dansam em mim.
Verde com limão
Limão com hortelã
Hortelã com canela
Canela com mel

No Outono é assim: sem pedras nos sapatos.

Thursday, September 27, 2007


Habitualmente adormecia assim.
Fechava os olhos e imaginava a tua respiração a meu lado. Pressentia os teus dedos, respirava o teu ar.
Viajava à manhã seguinte e nela encontrava o teu primeiro sorriso, a tua alegria não disfarçada por me teres ao teu lado.
A alegria profunda na leveza de um amor perfeito.

Thursday, September 20, 2007


Setembro cheira a saudades e as músicas chegam a fazer doer.

Friday, September 07, 2007


Life doesn't have to be simple, it has to be better.

Wednesday, August 29, 2007



Azul.
Tudo azul como nos segundos que se seguiram ao desmaio.
Ou como aquele dia em que tinhas olhos de peixe e eu cauda de sereia.
Azul.
Um futuro azul no limite admissível pela minha monocromia do Sul.

Monday, August 27, 2007


E a maré todo o fim-de-semana puxou por mim.

Wednesday, August 22, 2007


Back to life.

Thursday, August 09, 2007


No sul vive-se a maresia.

Tuesday, July 24, 2007


Tão rápida que as asas voaram e deixaram-me para trás.

Friday, July 13, 2007


Vou encher um saco de poesia. Peder-me na minha praia. Encontrar uma árvore nova e tropeçar em novos sons.
Vou regressar aos nadas onde tão bem nadam os meus pequenos sonhos.

Thursday, July 12, 2007


Saber que se sofre de um orgulho tardio.

Friday, July 06, 2007


A areia por entre os dedos

Corria
Molhou os pés
Acordar
Deixar-se cair
Teus braços, meu mundo
Tanto caminho a andar e tanto vento
Se me deitar na areia a ouvir o mar

O vento me leve
Leve, leve
O mar chegou
Deixou-se ir qual encanto de sereias.

Wednesday, July 04, 2007


Somos um fio.
Um fio em cima de um fio.
Todos os sonhos, todos os desejos vão ficando guardados sem que nos apercebamos e de repente as crianças cresceram, a solidão foi chegando. O corpo que temos ao nosso lado nunca teve o sorriso que sonhámos, o cheiro que quisemos, a cor que precisávamos. A pasta do trabalho vem cheia de tralha que nunca pensámos viesse a ser nossa. A casa onde vivemos tem paredes que nos comprimem a alma, o espírito.
E entre tudo, o tempo passou. Voou.
Voaram pessoas, voaram sonhos, acabamos por voar nós.
Vazio e fino o fio.
E querer arriscar. Arriscar que não vai ser assim. Querer ser fio dansante, flutuante, cantante (!) qual universo das cores que transformam a nuvem mais escura que anuncia tempestade, em algodão doce sem corantes.
Saber que chegam rápidos os tempos em que os sonhos e a força se vai. Saber que a derrota chega e nos imobiliza. Agir rápido. Saltitar por entre fios.
E na lápide: Fui feliz.

Monday, July 02, 2007



Pinta-me. Assim, com as cores do final.
Com o escuro quase total.
Pede-me para não me mexer e perpetua no silêncio este momento. Eterniza este caminho. Imortaliza esta espera.
Guarda este sorriso que é o teu sorriso e prende-o numa tela porque depois deste sorriso já só sal visitará este rosto e depois chegará o pó. O pó de todo o tempo do mundo num Outono que não terá fim.

I'm lost, exposed,
Stranger things will come your way,
It's just I'm scared,
Got hurt a long time ago,
Can't make myself heard,
No matter how hard I scream.

Oh sensation,
Sin, slave of sensation.

Fully fed yet I still hunger,
Torn inside,
Haunted I tell myself yet I still wander,
Down, inside,
It's tearing me apart.

Oh sensation,
Sin, slave of sensation.

Sample repeat over and over :
I'll never fall in love again,
It's all over now.

Portishead

Thursday, June 28, 2007


Olhar-te de frente.
"o futuro é mais exaltante que perturbante"

Thursday, June 21, 2007


Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Ramón Sampedro, Cartas desde el Infierno

Wednesday, June 20, 2007


Não sei se sonho os sonhos pela primeira vez, se os sonho para me despedir deles.

Monday, June 18, 2007



todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada. ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte. os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas. sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora, não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.


José Luís Peixoto

Monday, June 11, 2007


No limiar da queda.

Friday, June 08, 2007


If you believe in love at first sight, you never stop looking.
Até o encontrar.
E depois de o encontrar?

Monday, June 04, 2007



When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need

When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Saturday, June 02, 2007


A snowflake falls in May

Thursday, May 31, 2007


Um objectivo sem um plano não passa de um desejo.

Saint-Exupery

Wednesday, May 30, 2007


Urgência em ser feliz.
Qual será o 112?

Tuesday, May 29, 2007



Queres lutar com quem?
Para doer aonde? Para ser o quê?
Achas que ninguém vê?...

E p'ra quê fingir?
Porquê mentir e remar na dor?
Achas que ninguém vê?...

Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não voltar a cair!...

Não me olhes assim,
continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
Não dances tão longe,
que eu já te vi...

Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não voltar a cair!...

Wednesday, May 16, 2007


Peneirar sentimentos.

Monday, May 14, 2007


Amassar ideias.

Friday, May 11, 2007


El amor es como la música,
me devuelve con las manos vacías,
con el tiempo que se enciende de golpe
fuera del paraíso.
Conozco una isla,
mis recuerdos,
y una música futura,
la promesa.
Y voy hacia la muerte que no existe,
que se llama horizonte en mi pecho.
Siempre la eternidad a destiempo.

Blanca Varela

Thursday, May 10, 2007


Por vezes é como andar no nevoeiro.
Coração apertado na cegueira do futuro passo.
Coração apertado. Pavor de o quebrar na esquina que se segue.
Depois vem uma mão. Um espírito que nos alcança e nos puxa para essa esquina e nos ajuda a sair do nevoeiro que não era mais que sombras.
Sombras de passado que invadem sem convite uma busca pelo futuro.
Passos…passos com essa mão que nos afasta do passado, ainda que tenhamos medo, de com ela, dizer futuro.
O nevoeiro sai depois de nós, por nós, nada sai claro, pelos olhos saem sombras, pela voz, temores. Nevoeiro. Nevoeiro que não é mais que a prisão ao medo passado e a aflição de confessar o futuro.

Tuesday, April 24, 2007



Roubas a luz
ao céu cinzento
e vestes folhas flores e ervas
com vestidos cintilantes
És água e luz
a mais doce e breve e cristalina.
És o meu amigo das manhãs brumosas
e eu peço que me ensines o ofício claro
da tua transparência
para que me torne num fantástico alfaiate
e cubra a minha amada pela manhã
com o secreto nome
de uma flor feliz.

José Fanha

Tuesday, April 17, 2007


Não, não são os outros o meu inferno.
Eu sou o meu inferno.

Wednesday, April 11, 2007


mas nada é perfeito - nem o magnífico chapéu
de mademoiselle de noailles nem os dias que
aos ziguezagues vão passando iguais e monótonos
falta-me o tempo para procurar o tempo perdido.
e não estou deitado na recordação da infância
confesso
que odeio escrever cartas ou enviar recados

ando há uma semana arrumando livros - comovido
acabei agora mesmo de sacudir
o pequeno novelo de poeira acumulada
no interior das páginas do senhor da asma

por hoje é tudo

Al Berto

Thursday, March 29, 2007


Uma capa de super herói das sombras feita de mil retalhos de medo.

Tuesday, March 27, 2007


Um ano de dansas.

Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado;
Desta falta de tempo, sorte, e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.

António Franco Alexandre

Monday, March 26, 2007


I will follow.

Friday, March 23, 2007


Podia partir.
Partir tudo ou partir de tudo.
Sombra de sombra.

Thursday, March 22, 2007


Um amor que só uma fé de criança permitia sonhar.

Wednesday, March 21, 2007


Poesia

A tua voz estava leve.Tem graça a perda de atenção aos sinais, a perda do medo das sombras, do medo dos ventos. Tem graça de repetente a tua voz estava leve ou era só eu já tão longe de ti, num murmúrio do que já foi.
Sombras dos teus timbres.

Monday, March 19, 2007



Detesto. Odeio. Abomino. Desadoro.
Quando me sinto sem saída de um qualquer humor escuro, onde caio perdida sem conseguir ver a saída e sem poder pedir que me acendam a luz.
Se este fosse um blog mais sério, hoje haveria aqui uma explanação contra os injustiçados, as vitimas da direita portuguesa que têm dificuldade em aceitar decisões.

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.
Serve-se morto.

Reinaldo Ferreira

Thursday, March 15, 2007


"O grande desafio é colori-la sem tocar na sua essência."

Wednesday, March 14, 2007


Se calhar podia ouvir “amo-te”. Não sei se mudava alguma coisa.
Há dias em que os sapatos nos apertam mais, em que o choro dos meninos nos custa mais a ouvir.
Então, numa busca de solução e razão imediata para a aflição, olhava para ti e sabia que tinhas de ser tu a resolver isto dentro de mim, és tu o culpado. Tens de ser.
A saia tem duas nódoas. Que se lixe, ninguém há-de reparar, também, já é Quinta-Feira e no Sábado logo a lavo. O tempo não estica e hoje nada me aquece nem arrefece. Flutuo nesta angústia. Sei que tem de haver uma razão e uma solução, e só podes ser tu. Se não fosses tu se calhar nem vivia cá. Não tinha filhos, nem choros, nem saias com nódoas, nem frigorifico vazio, nem um vazio de moedas na carteira. Se não fosses tu acho que tinha ido para França, ou para Espanha. Se calhar até era bailarina ou pianista. Tenho os dedos grandes. Não tenho muito jeito p’ra dansa nem grande ouvido para a música, mas de certeza que estava nas artes. A vizinha Beatriz sempre disse que tinha uma boa voz. Devia era ter concorrido a um daqueles programas que lançaram tantos artistas(que nem valiam muito). Devia ter concorrido antes de ter a cara cheia de rugas e estes dentes.
Pode ser que hoje olhes para mim com um olhar mais meigo e amanhã comece um dia novo sem esta aflição. Pode ser que amanhã me saia o raio do euromilhões ou a roupa se passe sozinha ou consiga tomar um banho antes que os meninos ou tu cheguem a casa.

Tuesday, March 13, 2007


Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.

Pessoa

Março.
Já estamos em Março.
Já estamos em 2007.
Quem dera voasse eu pelo tempo em vez de ele voar por mim.

Thursday, March 08, 2007



Recomposto. Recomposta.
Traz em si carga sim ou carga não?
Recomposto do quê? Em quê? De qual?
Segunda hipotese?
123 ensaio.
Recomposta da recomposta.
Bem ou mal posta?
Não gosto. Acho que tem carga não.
Que raio não haverá palavra mais bonita? Mais cheia de saudade ao contrário?

Pohf!
Assim se vão os sonhos!

Tuesday, March 06, 2007


Dánzame. Es un día de curvas que se prolongan
al fragmentarse mi beso de saliva lluviosa...

Concha Garcia

Thursday, March 01, 2007




o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luis Peixoto

Abeja blanca zumbas —ebria de miel— en mi alma
y te tuerces en lentas espirales de humo.

Soy el desesperado, la palabra sin ecos,
el que lo perdió todo, y el que todo lo tuvo.

Última amarra, cruje en ti mi ansiedad última.
En mi tierra desierta eres la última rosa.

Ah silenciosa!

Cierra tus ojos profundos. Allí aletea la noche.
Ah desnuda tu cuerpo de estatua temerosa.

Tienes ojos profundos donde la noche alea.
Frescos brazos de flor y regazo de rosa.

Se parecen tus senos a los caracoles blancos.
Ha venido a dormirse en tu vientre una mariposa de sombra.

Ah silenciosa!

He aquí la soledad de donde estás ausente.
Llueve. El viento del mar caza errantes gaviotas.

El agua anda descalza por las calles mojadas.
De aquel árbol se quejan, como enfermos, las hojas.

Abeja blanca, ausente, aún zumbas en mi alma.
Revives en el tiempo, delgada y silenciosa.

Ah silenciosa!

Neruda

Monday, February 26, 2007



É sempre àquela mesa que volto.
Àquela feita de pedra. Àquela onde pela primeira vez os destinos das nossas mãos se encontraram.
Entre cafés e segredos que não se sussurraram mas que se adivinharam. Volto ao vento que te acompanha e à beleza da tua sombra.
Volto àquela mesa, não para respirar como outrora; volto àquela mesa, porque é a mesa dos silêncios doces.

Monday, February 19, 2007


O luar enche a terra de miragens
E as coisas têm hoje uma alma virgem,
O vento acordou entre as folhagens
Uma vida secreta e fugitiva,
Feita de sombra e luz, terror e calma,
Que é o perfeito acorde da minha alma.


Sophia

Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.


Sophia

Wednesday, February 14, 2007


Voltas, voltas, voltas e uma porta.

Hoje tudo está doce!

Tuesday, February 13, 2007

One fine day
You'll look at me
And you will know our love was
Meant to be
One fine day
You're gonna want me for your girl
The arms I long for
Will open wide
And you'll be proud to have me
By your side
One fine day
You're gonna want me for your girl
Though I know you're the
Kind of boy
Who only wants to run around
I'll keep waiting and
Someday darling
You'll come to me when you want to settle down oh
One fine day
We'll meet once more
And then you'll want the love you
Threw away before
One fine day
You're gonna want me for your girl
One fine day
We'll meet once more
And then you'll want the love you
Threw away before
One fine day
You're gonna want me for your girl

Tuesday, December 26, 2006


A sombra da dansa.
Dansei.

Friday, December 22, 2006


Quando a tristeza bate, pior do que eu não há...
Fico fora de combate, como se chegasse ao fim;
Fico abaixo do tapete, afundado num serrim.

Não queiras saber de mim, porque eu estou que não me entendo,
Dança tu que eu fico assim.
Hoje eu não me recomendo.

Rui Veloso e
Carlos Tê

Hoje eu também não me recomendo.

Thursday, December 21, 2006


Dezembro, um convite a nascer.
Sem que para mim deixe de ser um convite a morrer.

Sombra de mar.

A mãe também chora.

Tuesday, December 19, 2006


E a minha almofada era quase tudo o que tinha. Molhada, seca, seca, molhada; Verão, Inverno, Verão, Inverno. Cadente. E detestava tê-la. Ao menos que fosse coerente e tivesse o toque de um cartão. Ao menos que fosse dura e se emparelhasse com a solidão da rua.



No silêncio do branco. Na imobilidade do frio. No vazio do tempo.


Sinto-me marioneta. Puxo um fio e dou um passo, ordeno-me, empurro-me. Empurro-me até ao ano novo torcendo para que finalmente se quebre um fio e sem explicação, o tempo pare de contar-se.

Tuesday, December 05, 2006


Para avaliar do seu grau de desilusão:
É pior não dar, tirar o chupa-chupa a uma criança ou fazê-lo perder o sabor?

And yet so far.

Almost there.

Deveras cinzento. De um cinzento conhecido. Não lhe chamaria amigo.

Thursday, November 30, 2006



You and me, we're goin' nowhere slowly
And we gotta get away from the past
There's nothin' wrong with goin' nowhere, baby
But we should be goin' nowhere fast
It's so much better goin' nowhere fast


Streets on Fire

Tuesday, November 28, 2006



É possível encontrar tudo no lado de dentro do amor.